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    “The wines of ..Cortes de Cima... are some of the best on the Iberian Peninsula”
    by Tim Atkin
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Vinha

Solo e Clima

A vinha ligeiramente inclinada de Cortes de Cima, está situada em solos mediterrânicos de cor castanha, bem drenados e com um subsolo de pedra calcária.

Na Vidigueira o clima é predominantemente seco, soalheiro no verão, frio no inverno e raramente com geadas. O facto de o Oceano Atlântico se encontrar a cerca de 100 km para Oeste, faz com que o clima seja relativamente moderado. Os dias quentes de verão são arrefecidos por uma brisa nocturna proveniente do Oceano. Esta amplitude térmica diária durante a maturação das uvas faz com que esta se dê mais lentamente, favorecendo um bom desenvolvimento dos ácidos orgânicos, essenciais para obter um vinho equilibrado.

As nossas vinhas foram plantadas segundo a orientação NE – SW, e estão protegidas dos ventos de NW pela Serra do Mendro.

Desde a floração (Maio) até ao fim da vindima (Outubro), a chuva é um elemento muito raro – o sonho de qualquer viticultor! ( A inveja de qualquer Francês!) As vinhas recebem a água que necessitam através de rega gota-a-gota. Assim podemos controlar o nível de stress hídrico que queremos impor às nossas plantas, obtendo uvas de menores dimensões e com a película mais espessa. Estes são factores importantes para a produção de um bom vinho, como iremos explicar mais adiante.

Branco ou Tinto?

Quando chegámos à Vidigueira em 1988, esta era uma região que produzia predominantemente uvas brancas, e o conselho que nos foi dado foi seguir as práticas locais. A explicação era simples, a produção de uvas brancas era vantajosa uma vez que o rendimento por hectare era elevado e a adega cooperativa local (famosa pela qualidade dos seus vinhos brancos) compraria as uvas por nós produzidas.

No entanto o Hans suspeitava que o clima quente desta região seria mais adequado para a produção de castas tintas, por isso antes de plantar a primeira vinha resolveu aconselhar-se na famosa UC Davis, onde teve um encontro bastante proveitoso com Harold P. Olmo, Professor Jubilado de Viticultura. Após uma análise dos dados edafo-climáticos da região, o Prof. Olmo aconselhou-nos a plantar somente variedades tintas.

Departamento de Viticultura e Enologia da UC Davis

Castas

Agora que sabíamos que queríamos plantar uvas tintas, a próxima grande questão era que variedades? Uma vez que as nossas vinhas estão sob a legislação respeitante à produção de vinhos DOC da região da Vidigueira, fomos consultar a lista de castas permitidas nessa região.

Dessa lista constavam 12 castas de uvas brancas e nove de uvas tintas, dessas nove considerámos quatro que pensámos serem aquelas que mereciam a nossa aposta: Aragonez, Trincadeira, Periquita e a incontornável Cabernet Sauvignon. Desde então, a nossa opinião sobre a Periquita mudou (é uma casta que se adapta melhor às condições edafo-climáticas do litoral do que àquelas que se fazem sentir aqui no Alentejo), e por isso reenxertámos os quatro hectares de Periquita com Touriga Nacional.

Foi através do contacto com um enólogo francês que trabalhava noutra zona do Alentejo, que fomos percebendo que Cortes de Cima tinha as condições ideais para a produção da famosa variedade oriunda do Vale do Rhône: Syrah.

Esta casta não se integrava na lista de variedades autorizadas para a produção de DOC, nem mesmo para a produção de “Vinho Regional Alentejano” , e assim tivemos que fazer “contrabando” dos enxertos que importámos de França.

Em 1998, produzimos a nossa primeira colheita “ilegal” de Syrah, que foi engarrafada sob o nome de “Incógnito”, e que desde logo ganhou notoriedade e elogios em Portugal, e medalhas de Ouro em Londres, Bruxelas e Bordéus.

Ficha Técnica do Incógnito 2002

Vinhas

vinhas

Em 1991 começámos a plantar as nossas vinhas em três parcelas: “Cortes de Cima”, “Chaminé de Gião” e “Courela dos Pageis”. As parcelas que deram origem a cada vinho foram a inspiração para os seus nomes comerciais.

Em 1995, a área de vinha atingia os 50 hectares, todos eles plantados num raio de 2 km da casa e da adega. Em 2008 a área foi alargada para um total de 130 hectares.

A composição da vinha por castas é a seguinte:

Aragonez – 44 hectares; Syrah – 41 hectares; Trincadeira – 10 hectares; Touriga Nacional – 15 hectares; Cabernet Sauvignon – 2 hectares e em castas brancas – 18 hectares.

Um Sistema de Condução “Ilegal”

Dr. Richard Smart, o Australiano conhecido como o “Flying Vine Doctor”, e autor do livro “Sunlight into Wine”,

ajudou-nos a converter a nossa vinha tradicional, numa vinha “Novo Mundo” em que a zona dos cachos e o coberto vegetal encontram-se a uma maior distância do solo. O Objectivo desta mudança foi aumentar a exposição solar das uvas, e consequentemente aumentar a concentração de cor, aroma e “flavor”, dos nossos vinhos.

O inovador sistema “Smart-Dyson”, que passámos a utilizar na condução da nossa vinha foi o primeiro a ser implantado em Portugal, e na altura chegou até a ser considerado como “ilegal”. As regras impostas para a produção de DOC desta região, impunham que a condução da vinha fosse feita do modo tradicional ‘Cordon Francês’, que mantêm as vinhas a uma curta distância do solo.

No sistema “Smart-Dyson”, também conhecido por sistema “Up-Down”, algumas das varas são orientadas para crescerem para cima (facto que ocorre naturalmente), enquanto que outras são orientadas para crescerem para baixo, operação que implica algum trabalho adicional. Por este facto as mulheres das vilas mais próximas estão mais ocupadas durante o período de crescimento vegetativo das vinhas.

As vantagens que advêm da utilização deste sistema são variadas. O facto de o cobertura vegetal não ser muito densa, torna este sistema num bom método natural para combater as doenças provocadas por fungos. Assim podemos reduzir as pulverizações com agentes químicos.

Outra vantagem é o facto de a zona dos cachos se encontrar a 60 – 110 cm do solo. Nos meses quentes de verão o solo é bastante aquecido durante o dia e demora muito tempo a arrefecer durante a noite. No caso do sistema “Smart-Dyson”, os cachos estão a uma maior distância do solo, e assim o seu arrefecimento nocturno é facilitado, obtendo-se a maturação mais lenta das uvas que favorece uma maturação correcta dos ácidos orgânicos.

Por fim, as mulheres que vindimam adoram este sistema de condução mais elevado, imaginem poder colher uvas todo o dia, e chegar ao fim sem aquela dor nas costas de estar dobrado um dia inteiro!

‘Flying Vine Dr’

Sustentabilidade

O que é a viticultura sustentável?

A Sustentabilidade assenta no princípio de satisfazer as nossas necessidades no presente sem comprometer as necessidades das próximas gerações. Nas Cortes de Cima empenhamo-nos em atingir a sustentabilidade de diversas formas.

Desde 1996 que as nossas vinhas estão inscritas no programa de Protecção Integrada . Este projecto encoraja a diversidade biológica e o equilíbrio acima e abaixo do solo e reconhece que os terrenos saudáveis são essenciais para a sustentabilidade dos sistemas. A protecção integrada elege sempre os processos biológicos em substituição dos processos químicos. No entanto há processos que ainda têm que ser levados a cabo por produtos químicos e nesses casos são utilizadas técnicas em que o produto químico seja o menos tóxico e o mais efectivo possível.

Por fim o nosso sistema “Smart-Dyson” expõe as uvas directamente ao ar e aos raios solares, ajudando assim no combate às doenças fúngicas, o que resulta numa diminuição da necessidade de tratamentos químicos por spray.

À medida que o aquecimento global provoca um aumento da temperatura, a gestão da água na vinha é um assunto cada vez mais relevante. Somos completamente auto-suficientes para as nossas necessidades de rega; usamos apenas água dos nossos próprios reservatórios, que são atestados durante os meses chuvosos de Inverno. As nossas vinhas são irrigadas segundo o sistema de “controlo do défice de água”. “É importante para a qualidade da uva dar às vinhas menos água do que o que elas querem”, explica Hans. “A água é um recurso precioso e, por isso, procuramos utilizar apenas a que necessitamos.”

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