What goes around comes around (Part 1)
De Asia para Portugal – de Portugal para Asia.
Dizem que está quente no Alentejo neste momento. Mais de 30 graus à sombra, ouvi eu! Neste momento, tenho que recorrer ao rumor pois passei a última semana fora da adega, mais precisamente na praia, em Lagos , no Algarve, com os filhos adolescentes, que incluíram nas suas actividades diárias o surf, o kitesurf, o windsurf, com alguns intervalos
para o ténis e o golfe! A temperatura durante o dia tem estado à volta dos 30 graus, mas o oceano mantém uns refrescantes 14 graus, mais frio do que quando nos atrevemos a dar um mergulho no primeiro dia de Janeiro deste ano.
Durante este encantador período de “férias na praia” tive a oportunidade de pôr em dia as leituras e cruzei-me com um interessante artigo escrito pela Margaret Rand, na Decanter de Julho 2008, acerca da deslocação de Bordéus dos “mercados tradicionais”, como Reino Unido, EUA, Alemanha, Bélgica, Canadá, Suiça, Holanda, Dinamarca, e “mercados maduros” como Hong Kong, Singapura e Japão, para os “mercados emergentes”, como Coreia do Sul, China, Taiwan, Malásia, Indonésia, Índia e Brasil. Cito: “É o adeus América, olá China”. Como os produtores de vinho portugueses pertencem à mesma categoria de produtores do “velho mundo”, é sempre interessante saber o que os franceses estão a fazer, tanto na adega como nas vinhas, e, claro, no marketing.
Eu o Hans teremos sempre uma afeição especial pela Ásia. Volto atrás no tempo, até 1984, quando, depois de 23 anos, deixámos a Malásia para começar uma nova vida na Europa, onde comprámos um veleiro que acabou por nos trazer a Portugal, em 1988. Desde então, fomos afortunados por poder voltar à Ásia várias vezes, e, mesmo nas últimas viagens, de realizar eventos com os nossos importadores em Singapura e na Malásia.
A primeira intrusão das Cortes de Cima no continente asiático foi em 2001, quando despachámos o primeiro carregamento de vinhos para o Japão e Hong Kong. Em 2004, começámos na Malásia e Singapura e, em 2006, iniciámos uma colaboração com um importador sedeado em Macau, Vino Veritas.
Hoje, quando regressei de uma manhã estupenda de corrida e natação na Meia Praia, e depois de deixar os filhos entregues a mais um “Surf Safari ” com o seu instrutor de surf, o amistoso alemão Daniel, abri um e-mail do recente importador dos vinhos das Cortes de Cima no território chinês, RuoAo, com fotografias fantásticas da recente inauguração da nova loja de vinhos em Wenzhou.
De acordo com a Wikipedia, Wenzhou é uma cidade com apenas 7.777.000 habitantes (será possível ser apenas um número da sorte?). Já foi um “próspero porto de comércio externo, que continua bem preservado nos dias de hoje. É também conhecida pelos seus emigrantes, que deixam a sua terra natal com destino à Europa e os Estados Unidos , com a reputação de serem gente com iniciativa, que abre restaurantes e lojas nos seus países de adopção”.
Esta é, em poucas palavras, a razão pela qual estamos a vender agora vinhos alentejanos neste “território não frequentado”: um dos seus patrícios estabeleceu-se em Portugal e, depois de abrir por cá restaurantes e lojas, decidiu exportar vinhos portugueses para Wenzhou! Ou, nas palavras de Justin Timberlake , What goes around comes around….
Carrie
(continua…..por isso fiquem atentos à 2ª Parte!)


