Touriga – uma casta que mantém a sua qualidade qualquer que seja o nome pelo qual a chamemos
A diversidade das castas portuguesas é surpreendente, e é um assunto confuso para os apreciadores de vinhos tanto portugueses como estrangeiros. Eu testemunhei conversas entre os enólogos portugueses em que este assunto foi debatido e não se chegou a acordo sobre como chamar determinadas variedades portuguesas, pois a maior parte delas são conhecidas por nomes diferentes nas diversas regiões. Ao baptizarem-nas, ao longo dos séculos, os portugueses foram buscar referências a partes do corpo, a animais e até a emoções (por exemplo, rabo de ovelha: the ewe’s tail; pé-agudo: pointed foot; tinto cão: red dog).
Esta miscelânea de nomes diferentes para a mesma variedade de uvas não se limita ao território nacional. Aragonez, o nome alentejano para uma das castas favoritas das Cortes de Cima, não só passa a chamar-se Tempranillo mal se atravessa a fronteira com Espanha, como também goza de dezenas de sinónimos em castelhano, contribuindo para um verdadeiro jogo ibérico de adivinhas linguísticas!
As viagens que fazemos pelo mundo fora a frequentar provas de vinhos são uma boa maneira de educar os amantes de vinhos acerca dos mistérios dos vinhos portugueses e das variedades das suas castas. Invariavelmente, perguntam-nos: “O que significa Cortes de Cima?” Resposta: “uma clareira feita numa colina arborizada”. “O que significa Chaminé?” Resposta: “Uma chaminé do terreno ‘Chaminé de Gião’.” Estes nomes advêm, ambos, de nomes de parcelas de terreno da nossa herdade onde são cultivadas as vinhas.
E surgem sempre as mesmas perguntas sobre as castas portuguesas. “O que significa Touriga?”, perguntam-nos, referindo-se ao nosso vinho varietal Touriga Nacional. De acordo com as crenças locais, há uma pequena aldeia no coração do Dão, chamada ‘Tourigo‘, de onde se diz que surgiu esta casta. A variedade dominava as vinhas do Dão antes de surgir a filoxera, em 1870, e antes de ser disseminada pelo Douro como uma das principais castas para a produção do vinho do Porto. Para apoiar esta teoria, diz-se também que Mortágua, uma vila vizinha de Tourigo, é um sinónimo para a mesma variedade.
Touriga Nacional, também conhecida como a “rainha” das castas portuguesas, cresce actualmente, com enorme sucesso, em todas as áreas de Portugal, de norte a sul, e atravessou rapidamente a fronteira para Espanha, Austrália, Califórnia, enfim, um pouco para todo o mundo. As Cortes de Cima foram uma das herdades pioneiras a plantar a Touriga Nacional no Alentejo, onde é caracterizada pela sua baixa produção e pequenos bagos, que quando bem maduros nos oferecem um dos nossos vinhos mais distintos, caracterizado pelo intenso aroma a fruta e bouquet floral. Todos os três vinhos das Cortes de Cima produzidos com a casta Touriga Nacional comercializados até hoje (incluindo o já disponível 2005) foram premiados com +90 pontos, medalhas de ouro e diversos troféus, incluindo o Troféu Touriga do IWC, o Troféu Alentejo e o Troféu Vinho Tinto Português.




Terça Dezembro 14th, 2010
[...] for an International Conference, Wine Tasting and a Top Ten wine competition, all to promote Touriga Nacional in particular, and Portuguese wines in [...]