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    “The Alentejo led the way in the revolution of Portuguese wines. It is a region that has enjoyed an extraordinary success in the last decade.”
    by Leena Ng Wine & dine Magazine (Singapore, 2009)
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Quando chove, chove a cântaros

Posted by Carrie on Segunda Fevereiro 9th, 2009 em 10:05

Neste momento, no Alentejo, “está chovendo a cântaros”. Em Janeiro, o nível da chuva atingiu os 243 mm, ou seja, metade da média total anual, em apenas um mês! Apesar de ser um excelente clima para os nossos patos que deambulam pelas vinhas, o terreno fica lamacento, o que torna a poda uma tarefa ingrata para os trabalhadores. Os alentejanos têm fama de se queixarem de todos os aspectos da vida do dia-a-dia, mas é raro ouvir alguém queixar-se da chuva. Todos nós passámos demasiados Invernos a ansiar pela chuva que não chegou e a ver os reservatórios continuarem vazios. Neste momento, quase nem ousamos exprimir a nossa alegria por vermos as barragens a transbordar, com medo de afrontar algum atento deus do tempo… A água é o nosso recurso mais precioso no seco e quente Alentejo.

Pruning in the rainEnquanto somos inundados, vamos seguindo as dificuldades dos nossos colegas produtores um pouco por todo o mundo. Sonoma debate-se com a seca e em Janeiro foi decretado o racionamento, enquanto os produtores do Vale McLaren, após anos de seca, começaram a irrigar as vinhas através de um sistema de tratamento das águas residuais, chegando à conclusão que, nas vinhas, “menos” água pode querer dizer “mais”. Nas Cortes de Cima, há anos que praticamos uma irrigação de deficit controlado, de modo a aproveitar cada gota do fornecimento de água, tão caro e precioso.

Barragem

Muitos visitantes chegam às Cortes de Cima pela rota turística que os conduz à barragem do Alqueva e, vendo tamanha extensão de água, são levados a crer que tanto as Cortes de Cima como o Alentejo em geral são ricos em água para irrigar os campos. A verdade, porém, é que passados 7 anos desde que as comportas de 96 metros se fecharam, em 2002, e tendo nós ficado com o maior reservatório de água da Europa ocidental – 250 km2 de superfície – praticamente no nosso quintal, ainda esperamos pela água, e estima-se que tenhamos de esperar mais 4 anos (2013?). Para além da produção de energia eléctrica, a barragem destina-se a irrigar, um dia, 1100 km2 de terra arável. Entretanto, temos de continuar a contar apenas connosco e com a nossa barragem caseira de 400 m3 que, neste momento, está particularmente bonita e cheia devido à maravilhosa chuva que tem caído!


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